Nesse famoso conto de fadas, regado de sonhos e com um final feliz, a emoção começa com o bater do pêndulo à meia noite. Contudo, nos dias de hoje, a magia em si começa depois da meia noite. Afinal, vocês nunca repararam como as pessoas ficam mais bonitas depois da meia noite?
Em um mundo aonde os valores mudaram e para se obter sucesso em qualquer aspecto da sua vida, você deve estar pelo menos dentro do padrão de beleza (mesmo que esse seja relativo), isso quer dizer que temos que usar as mesmas roupas (porém de marcas diferentes), usar os mesmos sapatos ou ténis, corte de cabelo parecido.
No nosso conto de fadas real, não existe fada madrinha, porque o que impera é a soberania do melhor sobre os mais fracos, isso quer dizer que não podemos deixar que pessoas sem preparo nos tirem do nosso trono. Mas é claro que toda regra há excessão.
Existem fadas madrinhas por ai, porém são raras. Nesse conto de fadas não existe a "pobre menina" salva pelo "príncipe encantado". O amor é regido por regras básicas, os casais possuem alguma tipo de compatibilidade entre si, e quanto mais idênticos eles forem, melhor é! Não existe espaço para a diferença, seja de opiniões ou atitudes, o que vale é a homogeneidade. Eu sei que pode ser uma visão muito extravagante para definir o que é um relacionamento atual, mas eu vos lembro que estou fazendo uma relação com o conto de fadas. E ele começa assim:
Depois da meia noite nos tornamos outras pessoas, em nosso baile de gala o que impera não são as luzes, quanto menos luz tiver melhor, pois o escuro e a pouca luz, cria um ambiente em que suas imperfeições passam despercebidas pelos outros. A música que outrora era para dançar em pares, hoje é individual, sendo que você é livre para inventar o seu passo sem preocupar-se com o ritmo ou não. Antes as mulheres eram convidadas pelos rapazes para dançar, hoje você é um pedaço de carne em um açougue (e é melhor você ser um filé em apetitoso) se você não tiver coragem de escolher o seu pedaço e ir atrás dele(a) você fica a mercer da mesma sorte, é Hilário!
Aqui não é o despertar da meia noite que assusta e sim o raiar do sol que amedronta. Afinal, os primeiros raios invadem o ambiente de pouca luz e começa a iluminar o ambiente escuro que beneficia as pessoas. O medo está no fato das imperfeições começarem a surgir. Não existe mais a zona de conforto, e não pensem que o sapatinho de cristal será perdido, já que ele deve ter custado o salário do mês do dono, e ainda vale salientar que o mais importante, não são valores ou carater e sim o que você pode oferecer materialmente ao outro, o fim dos valores tradicionais.
A verdade é que, não sei se acontece com a geração de hoje, mas a minha geração e as anteriores, cresceram com a ideia do amor eterno e sem fim, do "viveram felizes para sempre" e que tudo deve durar a vida inteira. E hoje não é mais assim, é a aplicação de uma teoria que não existe, são valores ultrapassados que aprendemos incondizentes com a realidade. Assim como acontece hoje com as novas regras do português (ou seria portugues?), nós temos que aprender tudo de novo, a diferença está na facilidade em comprar um llivro com as regras para aprendermos o português novamente, contudo, não podemos comprar um que nos ensine a regra desse conto de fadas moderno, já que não existe madastra que rouba nossos bens, porém ainda há irmãs e irmãos invejosos, não existe animais que irão virar pessoas, não há fadas madrinhas ou príncipes (princesas) encantadas para nos salvar. Seria mais fácil entrar numa loja e comprar o modelo que você deseja, e pagar em 36 vezes no cartão de crédito.
A Cinderela de hoje presa por luxúria, dinheiro e bens. Quanto mais você tiver, melhor você é. Claro que isso não é uma regra imposta e que ai fora ainda há pessoas a espera do "par de chinelo usado" para completar sua vida. No entanto essas pessoas aprendem da pior maneira que essa espera é longa e dolorida.
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