quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Onde Está o Bom Humor?

O ser humano é um bicho muito complexo. Sua natureza é complexa desde momento de sua concepção. É uma luta constante entre o que queremos e o que podemos ter. Uma guerra sempre vencida pelo tempo, sendo que este, se não for, é o pior inimigo que temos.

Não sei qual o objetivo ou até mesmo porque eu afirmo isso. Certo dia estava assistindo um programa muito interessante sobre personalidade, um dos tópicos abordados no programa foi sobre os efeitos da rejeição sobre os seres humanos e como reagimos a esse sentimento. Concluíram que pessoas com sentimentos de rejeição tendem a se tornarem pessoas frustradas e violentas. Não possuo um grande embasamento sobre o assunto, porém, concordo em partes com a tese em si.

Acredito que pessoas rejeitadas usam da agressividade para chamar atenção dos outros. Pelo fato de não se sentirem acolhidas pelo o grupo, ou em um grupo, elas desconhecem outras formas e meios de obterem atenção, Afinal é o que todos querem.

Falando em atenção, eu tenho pensado no assunto nos últimos dias. Ontem conversando com uma conhecida sobre relacionamentos, e ela me fez uma pergunta, até então, feita apenas por mim mesmo. Aquela pergunta que ninguém tem a coragem de me perguntar. Respondi com a maestria de um filosofo sobre o assunto. De certa forma a resposta foi mecânica, instantânea e dinâmica por não se tratar de um assunto novo, ou de uma pergunta cuja nunca tenha me perguntando.

Tendo em consideração o assunto do programa e a pergunta, tomo algumas conclusões já conhecidas que tenho vergonha de revelar, não por serem imorais, e sim, por não acreditar na possibilidade de serem concretizadas.

Os estudiosos estão sempre dizendo e ressaltando a necessidade de possuirmos metas, objetivos ou sonhos para viver. Seguir nossas vidas num desses focos para sobrevivermos. Eu me pergunto qual seria o meu foco? O que eu quero? Aonde quero estar daqui a 10 anos?

No momento minhas respostas para estas perguntas levam-me a enxergar os caminhos, as opções e escolhas erradas que tomei ao longo do meio ¼ de século de vida. Eu não culpo ninguém por estas escolhas, é claro. Afinal, foram minhas escolhas. Entretanto eu culpo o ambiente em minha volta. Não me arrependo dessas escolhas, eu as fiz pensando serem as melhores, e também, não pensei apenas no que era melhor pra mim. Esse foi e é sempre o meu erro, colocar outras pessoas na minha frente. Tudo fruto da imaturidade, da insegurança da juventude.

Eu me considero uma pessoa frustrada. Além da minha cobrança agora surge à cobrança da sociedade. Como se não fosse bastante a interno, temos que conviver com a externa. Mesmo falando que não é cobrança, sempre há uma pressão. Ai eu volto à questão da atenção e pergunto: por que as pessoas não pensam antes de falar?

Além da metas, objetivos ou sonhos a serem seguidos, dizem também, que precisamos acreditar em algo maior, ter uma religião. O que afinal é a religião? Para mim, é acreditar e um poder maior, alguns chamam de Deus, Jesus, ou seja, o que for. Esse poder maior, a meu ver, nada mais é do que a aceitação e a absolvição plena que tanto queremos ter. Temos que crer que alguém irá nos aceitar e perdoar nossos erros e defeitos. Eu acredito em Deus, embora eu ache que ele se esqueceu de mim.

Imaginem-se sentados em um local calmo e sereno. Um céu azul com nuvens. Um penhasco tendo ao horizonte o mar. Vocês estão sentados vendo um filme a sua frente. Esse filme é a sua vida, porém, você está assistindo como se fosse uma terceira pessoa. Atualmente eu me vejo assim, assistindo a minha vida por fora. Ás vezes eu sinto que perdi algo.

Eu cresci em um ambiente cheio de moralidade e de conceitos ultrapassados, aparências inexistentes que me levam a loucura. Não há espaço para algo diferente, é viver seguindo um padrão, não há espaço para o azul entre o preto e o branco, ou seja, uma prisão.

Será essa dúvida e insegurança o complexo de filho de pais separados? Certa vez minha mãe questionou-me se eu acreditava que minha vida seria diferente se eu tivesse sido criado pelo meu pai? Não me atrevo a responder, pois creio que seria criar uma imagem da vida de como eu acredito que deveria ser, e esse paralelo seria o mesmo independente da minha criação.

Pode chamar-me de louco, esquizofrênico, maníaco obsessivo, mas em minha mente está presa a pessoa que eu sou. Meu corpo nada mais é do que uma prisão. Memórias das minhas antigas sessões de terapia. Eu apenas sou 10% da pessoa que eu devo ser por quê? Porque eu tenho que continuar a manter as características do ambiente que vivo. Tentar ser perfeito não é nada fácil. Eu quero tanto fugir desse mundinho mesquinho e quem sabe até ser feliz? Cansei de ser oprimido de não poder expressar uma idéia ou opinião e concluí-las sem ser interrompido por um grito, ou ser aborrecido por uma distorção. Há tanta diversidade no mundo e não tenho que aceitar a opinião alheia como verdade absoluta, todos somos diferentes!

No meu entendimento, e eu apreendi a agir assim, temos que analisar cada situação observando todos os lados, observando pontos de vistas contraditórios, para assim, formar nossa própria conclusão. A cada dia eu vejo as pessoas distorcerem histórias, ocultarem informações apenas para dizer que fulano ou cicrano são bons, sendo que, a bondade é um conceito relativo e pessoal. Ninguém é totalmente bom ou mau. Uns dias faz sol e em outros chove.

Não há espaço para conversas fúteis e idiota nas rodas de conversa, o assunto principal é falar assuntos chatos e maldosos. Aonde esta o bom humor? Viver em um ninho de cobras é assim, é você ver uma pessoa te tratar bem e falar o quanto maravilhoso você é, quando viramos as costas não sabemos se iremos sair vivos do lugar.

Por favor, não pensem que estou depressivo, não confundam análise crítica de uma situação com um desabafo. Livrar-me dessa gaiola de loucos apenas com um milagre, que não tenho fé que acontecerá. Eu perdi a fé com os anos, me tornei frio, sou conhecido como coração gelado. Mas como eu posso ser frio vivendo assim? Não gosto de me lamentar, pois sei que tenho uma mãe maravilhosa que fez e sempre fará tudo por mim, e em momento algum destino esse texto a ela, porque eu vejo como ela também se chateia com coisas dessa família, embora ela não veja que muitas vezes ela mesma cai nas armadilhas deles. É muito fácil culpar nossos pais pelos nossos erros, ou pelo menos culpar aquele que sempre nos deu amor, carinho e atenção.

Por fim, apenas uma pergunta, será que um dia eu terei a chance de ser feliz e de ter a vida que eu tenho direito de ter?


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